Seguro meu celular firmemente e consigo sentir cada gota de amor escorrendo até meus dedos enquanto digito mais uma mensagem para você. Penso duas vezes antes de clicar em “enviar”, por fim fecho os olhos e clico no botão mais temido nessas horas. Desligo a tela e seguro meu celular tão forte, mas tão forte que sinto que a qualquer momento posso quebra-lo. Para meu cérebro, segurar ele dessa maneira deve ter alguma ligação em como eu queria estar segurando sua mão neste exato momento ou então ele pensa que agarrando meu celular assim estarei te comovendo de alguma forma.

Mente estúpida. Coração estúpido.

Resolvo que é hora de largar meu celular e parar de aguardar por uma resposta, afinal até você conseguir digerir a minhas quase 4.000 palavras vai levar um tempo. Mas a cada nova notificação cá estou eu atirada na cama, com a mão trêmula, com o coração pulsando rápida e fortemente, engolindo em seco todas as hipóteses e medos da sua resposta. E para a minha não surpresa: nenhuma notificação é sobre a sua resposta.

Você não percebe o tamanho de coragem que me foi necessária para te enviar uma mensagem carregada com todos os sentimentos que habitam em mim, né? Eu precisei passar por cima do meu próprio orgulho. E pior que isso: eu precisei admitir que o teu amor ainda é o que me move. Se você soubesse um terço do que o tu e o teu amor são capazes de fazer comigo, talvez você nunca tivesse partido.

“Insensível”, penso. O retorno deve ser algo feito por vontade própria e não por obrigação, mas receber um desabafo desse nível e ainda sim ter a capacidade de não responder?! Isso é muita insensibilidade. Eu me sinto culpada até se não sorrio de volta para alguém no meio da rua, quem dirá calar o sentimento de alguém com a espera eterna de uma resposta?! Retomo o controle dos meus pensamentos e percebo que é cedo demais para julgar que você vai ler e ignorar.

Enquanto a resposta não vem fico relendo cada pedaço de sentimento transbordado em desabafo pra você. Fico querendo cancelar a mensagem, acrescentar mais coisas, tirar outras. Vejo erros de português. “Tansa, não sabe nem escrever e quer falar de amor.”. Mas para amar não precisa ser alfabetizado, precisa um único instrumento: coração. Fecho os olhos e oro. Oro baixinho para que Deus faça com que meu coração não fique estraçalhado – mais uma vez.

“Idiota. Por que insiste em inflar o ego dele?”. Penso comigo mesma. Nunca compreendi essa necessidade de jogar o sentimento para fora por alguém que optou por ir embora. Mas aí algo me surge na mente. A questão não vem em inflar ou desinflar egos, o X da questão está em lutar por aquilo que hoje é difícil encontrar em qualquer canto: amor. A decisão não é minha em ser humilde e compreender o amor da outra pessoa ou em inflar o ego e se achar superior só por ter esse sentimento de alguém. A minha parte eu fiz, né?!

Minha mente começa a revirar todas as minhas lembranças, começa a procurar as provocações e indiretas só para ter certeza de que eu não estou louca por achar que ainda existe um sentimento por aí nesse coração, procurar os motivos do término, procurar os motivos pelo qual me fizeram te amar todo esse tempo. Às vezes um fim de relacionamento surge para nos fazer enxergar coisas que dentro dele não enxergamos. E creio que esse foi o nosso caso. Esse lance de “acabou segue em frente” concordo se não houver mais amor, mas se ainda existir, por que seguir em frente? Por que não tentar? Por que não dar mais uma chance a ele? Não entendo. Quando eu amo quero passar o resto dos meus dias ao lado dessa pessoa. Penso no que minhas amigas vivem me dizendo “tenta esquecer” e respondo mentalmente “amor, se fosse assim fácil eu já teria esquecido. Ou tu acha que eu queria estar com o coração estraçalhado?”.

Resolvo dormir, minha mente já virou uma bela de uma confusão – o que não é grande novidade. Acordo e já corro para o celular. “Caramba, olha o que você me faz passar durante um dia inteiro”, penso. Mais um dia passa e nada. Percebo que a sua previsibilidade continua a mesma desde quando namoramos. A esperança de que você fosse responder era grande, mas a realidade que você sempre preferiu guardar suas palavras para si falava mais alto. Passo mais um dia com uma ansiedade tomando conta, com os meus pensamentos a milhões e por fim me sentindo uma tola. Durmo – afinal dormir sempre acalma.

Acordo com meu celular apitando. E é você. Antes mesmo de pegar o celular eu soube que era você – sei lá eu como, eu só soube. Meu coração aceleradíssimo pensando nas caras e bocas que você pode ter feito ao ler, nas milhões de ideias que passaram na sua memória, nas milhões de respostas que você pensou em mandar. E cá estou eu: derramando lágrimas ao ler o que não aquece meu coração. Não foi bom ler o que eu li, meu coração estraçalhou, mas ao mesmo tempo se sentiu livre. Eu fiz o que sentia que precisava, passei por cima de muita coisa e o amor às vezes tem disso, sabe? Amar mesmo que não dê certo.

Catarinense, escorpiana fervorosa, intensidade e impulsividade são seu sobrenome. Já passou por bons bocados e escreve para poder ser a conselheira quando o coração tá doído e sem coragem de pedir ajuda, acredita no poder que as palavras têm. Vive em uma constante evolução espiritual e emocional. Você sabe o seu nome, mas nem imagina sua história, você lê suas palavras, mas é impossível saber o peso que elas têm para ela. E quando precisar soltar o que o coração grita: danieledenez@gmail.com

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